French shelves in supermarkets look normal this week, yet a discreet food alert is urging shoppers to check their cupboards quickly.
Em França, um lote de bolachas macias de amêndoa vendidas em grandes cadeias de retalho foi retirado de venda, após testes terem revelado um nível preocupante de um composto relacionado com o cianeto. A recolha abrange um produto específico vendido desde outubro, e os consumidores que o compraram têm uma escolha clara: destruí-lo ou devolvê-lo.
Que produto está a ser recolhido nos supermercados franceses?
O alerta vem da Traditional World Foods Epidis SAS, um grupo alimentar que distribui vários produtos importados em França. A recolha diz respeito a um único tipo de bolacha de amêndoa, mas que chegou a algumas das maiores cadeias do país.
O produto no centro do alerta são as bolachas macias de amêndoa Sapori, com a designação “Amaretti morbidi almond”. Trata-se de amaretti clássicos ao estilo italiano: pequenas bolachas mastigáveis de amêndoa, tradicionalmente apreciadas com café ou vinho de sobremesa.
As bolachas afetadas são vendidas em sacos de plástico com 175 gramas. Estiveram disponíveis desde 10 de outubro de 2025 em lojas por toda a França continental, incluindo:
- Hipermercados e supermercados Auchan
- Lojas Carrefour
- Lojas E.Leclerc
A recolha não abrange todos os produtos Sapori, mas sim um único lote de bolachas “Amaretti morbidi almond” vendido em sacos de plástico de 175 g e distribuído a nível nacional.
Como reconhecer o lote recolhido
Apenas um lote de produção é visado. Os consumidores que compraram recentemente bolachas de amêndoa Sapori devem verificar cuidadosamente a embalagem. O lote afetado apresenta os seguintes dados de identificação:
- GTIN (código de barras): 8000895003379
- Número do lote: 355185 2
- Data de durabilidade mínima: 04/07/2026
Embalagens fora deste lote e desta data não estão incluídas no alerta. Ainda assim, a plataforma francesa de defesa do consumidor Rappel Conso aconselha, regra geral, a verificar todos os pacotes em casa quando uma recolha menciona uma marca amplamente distribuída.
Porque foram estas bolachas de amêndoa recolhidas?
O problema não está relacionado com bactérias nem com objetos estranhos, mas com química. Testes realizados aos amaretti Sapori revelaram um nível de ácido cianídrico significativamente acima do limite de segurança definido pelas autoridades de saúde pública.
O que é o ácido cianídrico?
O ácido cianídrico é um composto relacionado com o cianeto. Na indústria alimentar, pequenas quantidades podem surgir naturalmente, sobretudo em produtos que contêm certas sementes ou caroços, como amêndoas amargas, caroços de alperce ou alguns frutos de caroço.
Em doses muito baixas, este composto costuma manter-se abaixo dos limiares regulamentares e não representa um risco concreto para a saúde. Os controlos alimentares procuram manter a sua presença dentro de limites apertados, através de receitas, aprovisionamento e processos industriais.
O ácido cianídrico é um derivado do cianeto que pode ocorrer em produtos à base de amêndoa. Quando os níveis se mantêm abaixo de um limiar rigoroso, as autoridades consideram-no tolerável. Acima desse limiar, o risco torna-se demasiado elevado para consumo normal.
Nas bolachas Sapori recolhidas, análises pós-comercialização mostraram uma quantidade de ácido cianídrico “largamente acima” do limite recomendado. Essa formulação indica já um desvio claro das margens habituais de segurança e desencadeia uma recolha automática, mesmo que ainda não tenham sido reportadas hospitalizações.
Possíveis sintomas após consumir bolachas contaminadas
O risco depende da dose ingerida, do peso corporal e da sensibilidade individual. Quando a ingestão ultrapassa níveis seguros, o ácido cianídrico pode causar uma ampla gama de efeitos, alguns subtis e outros mais evidentes.
Entre os sintomas reportados ou esperados por exposição excessiva incluem-se:
- Tonturas ou sensação de atordoamento
- Dores de cabeça que podem surgir pouco depois da ingestão
- Problemas de pele, como sensação de ardor ou agravamento de eczema
- Problemas digestivos: cólicas abdominais, náuseas, desconforto gástrico
- Alterações na perceção do sabor ou do olfato
Em doses elevadas, compostos de cianeto podem tornar-se potencialmente fatais, mas esta recolha refere-se a um contexto de ingestão crónica ou repetida, e não a um episódio de intoxicação aguda. As autoridades de saúde atuam cedo, muito antes de se atingirem cenários extremos - razão pela qual até uma bolacha de sobremesa pode ficar sujeita a um alerta nacional.
O que deve fazer se comprou estas bolachas de amêndoa Sapori?
Os consumidores em França que tenham comprado bolachas Sapori “Amaretti morbidi almond” na Auchan, Carrefour ou E.Leclerc desde outubro devem começar por verificar o código de barras, o número do lote e a data em cada embalagem. Se o produto corresponder ao lote recolhido, a orientação é clara: não o consuma.
Não prove as bolachas “só para ver”. Um produto sob recolha deve ser tratado como impróprio para consumo, mesmo que pareça, cheire e saiba de forma normal.
Duas opções: lixo ou reembolso
Os consumidores podem resolver a situação de duas formas principais:
- Destruí-las: Deitar a embalagem no lixo doméstico, de forma a impedir que crianças ou animais consumam o conteúdo.
- Devolvê-las: Levar as bolachas de volta ao supermercado onde foram compradas para obter reembolso.
O aviso de recolha especifica que os reembolsos estão disponíveis até terça-feira, 4 de fevereiro de 2025. Após essa data, os retalhistas podem deixar de reembolsar, mesmo que o produto permaneça em casa sem ter sido aberto. Quem costuma guardar doces por longos períodos deve verificar os armários rapidamente, em vez de esperar.
Principais detalhes da recolha (resumo)
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Produto | Bolachas macias de amêndoa Sapori “Amaretti morbidi almond” |
| Peso | Saco de plástico de 175 g |
| GTIN | 8000895003379 |
| Lote | 355185 2 |
| Data de durabilidade mínima | 04/07/2026 |
| Retalhistas | Auchan, Carrefour, E.Leclerc (em toda a França) |
| Data limite de reembolso | 04/02/2025 |
| Motivo | Teor excessivo de ácido cianídrico |
Porque é que produtos de amêndoa podem levantar alertas de segurança
Para leitores do Reino Unido e dos EUA, a ideia de cianeto nos alimentos pode soar dramática, mas as amêndoas e caroços relacionados contêm naturalmente compostos que podem libertar cianeto. As amêndoas amargas, que normalmente não são vendidas cruas ao consumidor, apresentam níveis mais elevados do que as amêndoas doces usadas em snacks e pastelaria.
Os fabricantes gerem este risco através de aprovisionamento criterioso, torrefação controlada, conceção de receitas e limites legais para certos ingredientes. Os problemas surgem quando um lote sai destes parâmetros, ou quando a qualidade da matéria-prima muda sem ser detetada precocemente.
Em produtos como amaretti, maçapão ou pastas de amêndoa, vários fatores podem influenciar os níveis de cianeto:
- A proporção de amêndoas amargas versus amêndoas doces utilizada
- A forma como os caroços são processados ou sujeitos a tratamento térmico
- A consistência da cadeia de abastecimento de amêndoas ao longo do tempo
- A forma como os produtos finais são testados antes e depois de serem expedidos
O caso Sapori mostra como sistemas nacionais de monitorização, como o Rappel Conso em França, detetam irregularidades mesmo depois de os produtos chegarem às prateleiras. Controlos aleatórios, reclamações de consumidores ou testes internos das empresas podem desencadear uma nova análise de um lote e levar a uma recolha.
Como reagir a recolhas alimentares enquanto consumidor
As recolhas alimentares soam muitas vezes alarmantes, mas fazem parte da gestão rotineira da segurança. Em vez de gerar pânico, devem incentivar alguns hábitos práticos no dia a dia das compras.
Passos práticos para consumidores
- Guarde talões ou prova digital de compra de alimentos embalados que compra com regularidade.
- Armazene bens secos, doces e snacks de forma a que os rótulos permaneçam legíveis.
- Consulte plataformas nacionais de recolhas ou avisos afixados em loja se ouvir falar de uma recolha nos meios de comunicação.
- Não parta do princípio de que “parece bem” significa “é seguro” quando um produto foi oficialmente recolhido.
- Fale com o balcão de apoio ao cliente: os funcionários costumam ter instruções claras sobre reembolsos e procedimentos.
Para quem tem crianças, familiares idosos ou condições crónicas de saúde, responder rapidamente aos avisos de recolha reduz a exposição evitável a produtos contaminados. Até um mimo como uma bolacha de amêndoa pode representar um risco desproporcionado para grupos vulneráveis.
Para além deste caso: gerir riscos químicos nos alimentos
A recolha da Sapori destaca uma questão mais ampla: como viver com cadeias alimentares complexas que recorrem a químicos, aditivos e processos industriais. O ácido cianídrico representa uma família de riscos, mas os consumidores já lidam com preocupações sobre pesticidas, metais pesados ou migração de plásticos das embalagens.
Uma forma de navegar este panorama é concentrar-se em três alavancas: diversidade, rastreabilidade e informação. Uma alimentação variada reduz a exposição repetida ao mesmo contaminante. Acompanhar marcas e números de lote ajuda a comparar o que tem em casa com um aviso de recolha. Ler resumos oficiais de recolhas dá contexto sobre se o problema se relaciona com micróbios, corpos estranhos, alergénios ou químicos.
Os produtos de amêndoa continuam a ser uma parte valorizada de muitas dietas europeias, dos amaretti italianos à frangipane francesa e às tartes Bakewell britânicas. A recolha atual não os transforma numa categoria a evitar, mas sublinha o papel dos testes e da transparência. Quando um lote ultrapassa uma linha regulamentar, o sistema pede aos consumidores que atuem como a última barreira de segurança - verificando aquela pequena linha de números no verso da embalagem antes da próxima dentada.
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