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Nivea: Apliquei o creme azul todas as noites só num lado do rosto durante uma semana. Veja o que aconteceu.

Mulher aplica creme Nivea no rosto em frente ao espelho no banheiro, com toalhas e plantas ao fundo.

A primeira noite em que mergulhei os dedos no icónico creme azul da Nivea, o cheiro levou-me imediatamente à casa de banho da minha avó.

Aquele aroma espesso, ligeiramente à antiga, do tipo que se agarra às toalhas e às memórias. Fiquei em frente ao espelho, lata na mão, e tracei uma linha invisível ao longo do centro do meu rosto.

Lado direito: creme azul da Nivea. Lado esquerdo: a minha rotina habitual, leve e cara. Espalhei a pasta branca e densa numa bochecha, ao longo do maxilar, até à testa, e senti logo a diferença. Mais pesado. Mais oleoso. Quase teimoso na pele.

Fiquei a olhar para o meu reflexo, meio divertida e meio nervosa. Estaria prestes a descobrir o segredo de 3 € para uma pele viçosa… ou um bilhete só de ida para borbulhas e poros entupidos?

Como foi, na prática, uma semana de “Nivea em meia cara”

Na terceira noite, eu já conseguia sentir qual lado do meu rosto tinha Nivea antes mesmo de olhar. O “lado azul” acordava ligeiramente pegajoso, como se ainda lá estivesse uma película fina, a guardar alguma coisa por baixo. O outro lado estava… bem. Normal. Esquecível.

Sob a luz da casa de banho, havia um brilho subtil do lado com Nivea que a outra metade simplesmente não tinha. Não era brilhante nem gorduroso; era mais parecido com o aspeto que a pele tem depois de uma noite muito bem dormida. A minha bochecha esquerda, com os produtos “chiques”, parecia aceitável. A direita parecia discretamente mais preenchida.

Não foi uma transformação dramática, ao estilo viral. Nada de milagre a fazer recuar dez anos. Era mais como a minha pele no seu melhor dia, no fim de um fim de semana prolongado. Calma. Um pouco mais lisa. E sem pedir atenção.

No quarto dia, a experiência deixou de parecer um jogo e começou a parecer um pouco sabotagem. Fiz a maquilhagem e reparei como a base assentava de forma diferente em cada lado. No lado com Nivea, o produto deslizava com mais facilidade, quase como se a pele por baixo tivesse sido “almofadada” com uma camada fina.

A minha linha de sorriso desse lado parecia um toque mais suave, como se alguém tivesse baixado o contraste de uma fotografia. Do outro lado? A base agarrava-se mais à secura à volta do nariz e junto ao canto do sorriso. Coisas mínimas, invisíveis para toda a gente, mas que, uma vez vistas, não dá para “desver”.

Nas redes sociais, vemos muitas vezes aqueles antes-e-depois dramáticos em selfies no carro, com um lado do rosto envelhecido pelo sol. Isto não era isso, claro. Ainda assim, eu conseguia imaginar que, se repetisse esta experiência durante meses, a diferença em câmara lenta poderia tornar-se bem real. E essa ideia ficou comigo enquanto lavava os dentes, a olhar para a minha experiência desigual.

Do ponto de vista científico, o resultado fazia sentido. O clássico creme azul da Nivea é, basicamente, um poderoso oclusivo à moda antiga: paraffinum liquidum, petrolatum, álcool de lanolina. Ingredientes que ficam à superfície, reduzem a perda de água e mantêm o que está dentro… dentro.

Quando a camada externa da pele (o estrato córneo) se mantém hidratada, incha ligeiramente. As linhas ficam menos marcadas, a textura parece mais suave, a vermelhidão acalma. Muda a estrutura da pele de forma profunda e “médica”? Não propriamente. Mas muda a forma como a luz reflete no rosto, e o olho lê isso como juventude.

O lado negativo também é óbvio: os oclusivos podem “prender” coisas. Se a tua pele tem tendência para acne ou reatividade, podes estar a selar irritantes ou óleo. A minha semana de teste foi simpática comigo, sem borbulhas dolorosas a reportar. Ainda assim, reparei num pequeno poro entupido do lado com Nivea perto do queixo no sétimo dia - um lembrete suave de que esta lata azul não é magia, é química.

Como apliquei, na verdade, o “creme azul” (e o que faria de forma diferente)

Não pus simplesmente Nivea em pele seca e dei o assunto por encerrado. Todas as noites, segui quase o mesmo pequeno ritual, como um mini teste de laboratório em meia cara. Primeiro, limpei com um gel suave, nada agressivo, e depois sequei o rosto com toques até ficar apenas ligeiramente húmido.

Lado esquerdo: o meu sérum habitual e um hidratante leve. Lado direito: apenas um sérum fino, depois uma quantidade do tamanho de uma ervilha de creme azul da Nivea, aplicada em pequenos toques na bochecha, testa e maxilar. Aqueci-o entre os dedos para amolecer e depois pressionei suavemente em vez de esfregar com força. A textura “cedia” ao calor das mãos.

Se já usaste um creme de mãos rico antes de dormir, conheces aquela sensação satisfatória, tipo casulo. Era assim que o lado com Nivea se sentia. Como se eu tivesse posto um cobertor macio sobre metade do meu rosto e deixado a outra metade com um lençol leve.

No segundo dia cometi um erro que muita gente comete com cremes espessos: exagerei. Tentada pela sensação confortável da primeira noite, tirei mais um pouco, a pensar “mais hidratação, mais brilho”. O lado com Nivea ficou brilhante durante horas, e a minha fronha também participou na experiência.

Na manhã seguinte, a pele não parecia melhor com a camada extra. Parecia apenas… revestida. Foi aí que entrou o choque de realidade. Com produtos oclusivos, a ideia não é sufocar a cara; é selar o que já lá está. Uma “ervilha” bastava. Duas eram uma pequena maré de óleo.

No quinto dia, também experimentei aplicar mais perto da zona inferior dos olhos no lado com Nivea. Não diretamente na pálpebra inferior delicada, mas logo abaixo do osso orbital. As linhas finas de desidratação pareciam mais suaves na manhã seguinte, embora também tivesse havido um ligeiro inchaço. Um lembrete visível de que mais “volume” nem sempre é mais favorecedor quando se trata de olhos.

Há outra verdade silenciosa aqui: tendemos a subestimar o quão sensível a nossa pele é a pequenas mudanças. No lado com Nivea, evitei usar ácidos fortes, retinóides ou esfoliantes agressivos durante a semana. No lado sem Nivea, a minha rotina manteve-se “normal” - alguma esfoliação, alguns ativos.

Só isso já pode influenciar o aspeto do rosto ao fim de sete dias. Menos irritação, mais proteção, mais água retida. Ou seja: o creme azul ganhou em parte porque me obrigou a simplificar. Às vezes a pele parece melhor não porque adicionámos um produto, mas porque finalmente deixámos de a atacar.

Sejamos honestos: ninguém faz isto mesmo todos os dias. Muito poucas pessoas aplicam um produto em exatamente metade do rosto e mantêm o resto perfeitamente consistente. Saltamos de sérum em sérum, misturamos tendências, perseguimos novas texturas como se fossem bilhetes de lotaria. A minha experiência foi invulgar precisamente por ter sido rígida.

Num plano mais emocional, havia algo estranhamente reconfortante em pegar num produto que não tenta ser “cool” nem arrojado. A lata azul da Nivea é igual numa farmácia em França e numa mercearia minúscula numa aldeia. Não promete “hackear a barreira cutânea” nem “bio-otimizar o teu glow”. Está apenas ali, teimosa e azul, à espera de ser aberta.

“Eu volto sempre a esse creme porque sinto que ele pertence à minha família”, disse-me uma dermatologista uma vez, meio a brincar. “A minha mãe usou-o, a minha avó usou-o, e agora os meus pacientes perguntam se ‘podem’ usá-lo também.”

Por trás desta ligação emocional, porém, há alguns padrões claros que vale a pena ter em mente se te apetecer tentar algo semelhante em casa:

  • Usa-o como último passo à noite, não por baixo de maquilhagem pesada durante o dia.
  • Começa com uma quantidade mínima; a textura é mais potente do que parece na lata.
  • Evita aplicá-lo sobre borbulhas ativas se a tua pele entope facilmente.
  • Combina-o com rotinas suaves, não com cocktails de esfoliação agressiva.
  • Pensa nele como uma “tampa” de hidratação, e não como um faz-milagres.

Então, o creme azul valeu a pena?

Depois de sete noites, lavei o rosto e fiquei a olhar para a versão reunificada de mim. Metade de mim passou uma semana sob a vigilância de um clássico de drogaria; a outra metade manteve-se fiel à minha rotina moderna, em camadas. A pergunta na minha cabeça era simples: se eu não soubesse que lado levou o quê, notaria diferença?

A resposta foi sim - mas com nuances. O lado com Nivea estava subtilmente mais elástico ao toque, como uma uva ao lado de outra uva que começou a secar só um bocadinho. As linhas finas curvavam-se de forma mais suave. Os poros não desapareceram; pareciam apenas menos definidos, como se alguém tivesse reduzido a nitidez da imagem.

O outro lado não era um desastre. Apenas se parecia mais com “pele da vida real” num dia normal: um pouco mais de textura, mais fragilidade em alguns pontos, um pouco mais seco ao longo do maxilar. Esse contraste fez-me pensar menos em produtos e mais em como, tantas vezes, perseguimos extremos quando uma simples camada de conforto já mudaria muito.

Não corri a deitar fora os meus séruns. Não coroai a Nivea como o único creme que vale a pena comprar. A pele não é assim tão binária, e o envelhecimento também não. O que eu fiz foi puxar a lata azul para a frente da prateleira e mudar discretamente a forma como uso a minha rotina.

Agora, nas noites em que o meu rosto parece repuxar ou estar sobrecarregado por ativos, salto os passos complicados e pego naquele creme branco e denso. Não como compromisso diário, mas como um “reset”. Uma pausa. Uma forma de dizer à minha própria pele: “Hoje à noite, ficas com o simples.” A um nível muito humano, isso sabe estranhamente a terra firme.

Todos já tivemos aquele momento em que olhamos para o espelho e ampliamos mentalmente cada pequena falha. Esta pequena experiência de meia cara não apagou esses momentos. Mas provou que, às vezes, a diferença mais visível não vem de correr atrás da tendência mais recente, e sim de permitir que a pele esteja um pouco menos sedenta, um pouco mais protegida.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
O creme azul da Nivea aumenta a hidratação à superfície Ingredientes oclusivos retêm a água, fazendo com que as linhas finas pareçam mais suaves após algumas noites Ajuda a perceber porque é que a pele pode parecer mais “preenchida” sem ativos sofisticados
O método de aplicação muda tudo Pequena quantidade, aquecida nas mãos, aplicada sobre pele ligeiramente húmida e como último passo Reduz o risco de sensação pesada, poros entupidos e desperdício de produto
Melhor como “reset” ocasional Combina bem com rotinas simples e suaves em vez de esfoliação agressiva Dá uma forma realista de o integrar sem ter de revolucionar toda a prateleira de skincare

FAQ:

  • O creme azul da Nivea pode substituir o meu hidratante de noite? Pode, para alguns tipos de pele, especialmente normal a seca, mas muitas pessoas preferem mantê-lo como um “selo” ocasional por cima de produtos mais leves, em vez de uma substituição total.
  • O creme azul vai entupir os poros ou causar acne? Se a tua pele for muito oleosa ou com tendência acneica, a textura oclusiva pode ser demasiado pesada em áreas grandes; testa primeiro numa pequena zona ou usa-o apenas nas áreas mais secas.
  • É seguro usar Nivea à volta dos olhos? Podes aplicar uma quantidade mínima ligeiramente abaixo da zona dos olhos, mas evita colocá-lo mesmo junto à linha das pestanas ou dentro do contorno ocular se tens tendência para inchaço ou mília.
  • Posso combinar Nivea com retinol ou ácidos? Sim, embora seja mais sensato manter os ativos suaves e não sobrepor demasiados produtos irritantes por baixo de uma barreira oclusiva pesada na mesma noite.
  • Com que frequência devo usar o creme azul no rosto? Muitas pessoas gostam de o usar algumas noites por semana, sobretudo nos meses frios ou após produtos agressivos, em vez de todas as noites ao longo do ano inteiro.

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