Quando o céu escurece e o trovão começa a ecoar, a maioria das pessoas preocupa-se com janelas, varandas e telhados a pingar - não com circuitos.
No entanto, cada tempestade de verão esconde uma ameaça mais discreta dentro das paredes da sua casa: picos de tensão violentos que atingem a eletrónica que usa todos os dias, mesmo quando o raio nem sequer cai no seu edifício.
O perigo escondido que as tempestades trazem para a sua sala
As trovoadas não trazem apenas trovões estrondosos. Enviam surtos elétricos brutais a percorrer linhas de energia, linhas telefónicas e até cabos de TV. Esses surtos entram depois nas casas, atingindo aparelhos que nunca foram concebidos para suportar esse tipo de choque.
Os engenheiros descrevem três efeitos principais durante tempestades elétricas fortes: picos de tensão abruptos, quedas curtas de alimentação e microcortes rápidos e repetidos. Cada um deles acrescenta stress aos componentes delicados que existem dentro dos gadgets modernos.
Durante uma tempestade forte, um único pico alto pode matar um aparelho em segundos – mesmo que o raio caia a quarteirões de distância.
As pessoas muitas vezes preocupam-se com as coisas erradas. Micro-ondas, candeeiros e pequenos eletrodomésticos de cozinha parecem vulneráveis porque estão à vista. Na realidade, o aparelho mais exposto na maioria das casas está silenciosamente na sala.
O aparelho que deve mesmo desligar da tomada em primeiro lugar
Segundo técnicos que lidam com danos de tempestades semana após semana, o aparelho mais arriscado não é o micro-ondas nem as luminárias. É a televisão.
As TVs modernas - LED, QLED, OLED e outros painéis planos semelhantes - são, na prática, caixas elegantes cheias de eletrónica sensível. As suas fontes de alimentação e placas de controlo dependem de uma tensão estável e previsível. Um surto repentino envia uma tensão anormal através de componentes minúsculos que não têm margem para a absorver.
Quando um raio cai perto de um bairro, a rede elétrica pode sofrer impulsos de milhares de volts. A corrente não precisa de atingir a sua casa diretamente. Um pulso a viajar pela rede pode ser suficiente para queimar a placa principal, danificar condensadores ou destruir instantaneamente a fonte de alimentação interna.
Um surto violento durante uma tempestade transforma muitas vezes uma TV perfeitamente funcional num retângulo preto morto que nunca mais liga.
As oficinas de reparação referem que consertar uma televisão danificada por surto custa regularmente entre 40% e 70% do preço de um aparelho novo. Para muitas famílias, isso torna a reparação uma opção pouco económica, levando à substituição total da TV.
Depois das televisões, os aparelhos que mais frequentemente avariam após trovoadas são modems, routers Wi‑Fi e boxes de TV. Estas unidades combinam ligações de energia, linhas de rede e entradas de antena num só equipamento, o que multiplica os caminhos por onde um surto pode entrar.
Porque “desligado” não chega: o que os técnicos realmente recomendam
Muitas pessoas sentem-se seguras quando carregam no botão de ligar/desligar do comando. Essa sensação é enganadora. Uma TV em modo de espera (standby) continua ligada à rede elétrica e continua ligada a outros equipamentos através de cabos.
Eletricistas e técnicos de eletrónica repetem o mesmo conselho: quando se aproxima uma trovoada forte, a única proteção fiável é a desconexão total.
- Desligue a TV da tomada.
- Retire os cabos HDMI que vão para consolas ou boxes.
- Desligue o cabo de antena ou o cabo de TV.
- Desligue o modem e o router tanto da alimentação como das linhas de telefone/fibra/cabo.
Cabos HDMI, fios de antena e cabos de banda larga podem funcionar como autoestradas para sobretensão. Mesmo que a TV esteja desligada, um surto pode viajar através de uma consola ou descodificador ligado e saltar diretamente para as placas internas.
Se conseguir ver relâmpagos e ouvir trovões próximos, os técnicos dizem que deve tratar todos os cabos ligados à sua TV ou ao seu router como potenciais pontos de entrada para um surto.
Esta rotina pode parecer exagerada se viver num apartamento na cidade e raramente pensar em relâmpagos. Ainda assim, os dados de serviços de reparação mostram o mesmo padrão: um único impacto forte perto da rede de distribuição local é suficiente para inutilizar vários aparelhos na mesma rua.
Os estabilizadores ou UPS conseguem salvar os seus dispositivos?
Muitas casas confiam em estabilizadores de tensão ou réguas com proteção contra surtos como uma espécie de rede de segurança. Ajudam com pequenas flutuações do dia a dia, mas trovoadas fortes levam-nos para além dos seus limites de conceção.
Os estabilizadores comuns usam componentes dimensionados para variações moderadas. Surtos induzidos por raios podem ultrapassar esses limites por uma margem enorme. Quando isso acontece, o estabilizador pode avariar antes do aparelho ligado - ou simplesmente deixar passar parte do pico.
As UPS (fontes de alimentação ininterrupta) - unidades com bateria frequentemente usadas em PCs - oferecem melhor proteção, especialmente modelos de maior qualidade com circuitos de supressão de surtos adequados. Protetores contra surtos certificados que usam varistores de óxido metálico (MOV) acrescentam outra camada, “limitando” picos repentinos e sacrificando-se no processo.
| Dispositivo | Ajuda contra flutuações do dia a dia | Ajuda contra relâmpagos nas proximidades |
|---|---|---|
| Estabilizador básico | Sim | Limitada, muitas vezes insuficiente |
| Régua de proteção padrão | Sim | Apenas para surtos ligeiros |
| UPS de qualidade com proteção contra surtos | Sim | Reduz o risco, não é proteção absoluta |
| Desconexão física | N/A | Bloqueia totalmente os caminhos do surto |
Estas ferramentas são importantes para a fiabilidade diária, sobretudo em regiões com redes instáveis. Protegem contra microcortes, ruído e oscilações habituais de tensão que encurtam silenciosamente a vida útil da eletrónica ao longo dos anos.
Quando a discussão passa para descargas fortes nas proximidades, os especialistas tendem a concordar: nenhum estabilizador comercial garante segurança total. Desligar da tomada continua a ser o único método que realmente corta todos os caminhos elétricos.
Os outros aparelhos que as tempestades destroem em silêncio
As televisões chamam a atenção por serem caras e muito visíveis. No entanto, os danos de tempestade muitas vezes aparecem primeiro em equipamento menos “glamouroso” que fica ao lado delas.
Modems, routers e a sua ligação à internet
Os routers de banda larga estão no cruzamento de várias linhas: tomadas elétricas, fios telefónicos, fibra ou cabos coaxiais e, muitas vezes, cabos Ethernet para outras divisões. Cada uma dessas linhas pode transportar um surto.
Após uma tempestade severa, as operadoras recebem frequentemente queixas de utilizadores que ainda têm luz e frigoríficos a funcionar, mas não têm internet. A “caixa” da banda larga simplesmente não liga, ou as portas ficam mortas. O surto pode ter chegado pela rede elétrica ou pela linha de rede vinda do armário na rua.
Para casas que dependem de videochamadas, trabalho remoto e sistemas de casa inteligente, perder o router pode perturbar muito mais do que o streaming à noite.
Consolas, equipamento de áudio e pontos fracos escondidos
Consolas de jogos e amplificadores de cinema em casa contêm placas compactas e de alta densidade. Os fabricantes desenham-nos para desempenho, não para choques repetidos de surtos violentos.
Um pico repentino pode queimar o módulo interno de alimentação ou danificar chips de armazenamento e processamento. Em muitos casos, o aparelho ainda liga uma ou duas vezes e depois falha dias mais tarde, quando componentes enfraquecidos finalmente cedem.
As boxes e as soundbars trazem outro risco subtil. Ficam entre vários aparelhos, ligados em cadeia por HDMI e cabos óticos. Um surto que entra de um lado pode sair pelo outro, espalhando danos por toda a “pilha” de equipamentos.
Criar uma rotina prática para tempestades em sua casa
As famílias em regiões propensas a tempestades desenvolvem frequentemente hábitos que reduzem drasticamente o risco com muito pouco esforço. Uma lista simples ajuda quando o trovão começa a aproximar-se.
- Desligue e retire da tomada a TV principal e quaisquer consolas ou boxes ligadas a ela.
- Desligue o cabo de antena ou de satélite da parte traseira da televisão.
- Desligue e retire da tomada o modem e o router, incluindo as ligações de telefone ou fibra.
- Retire da tomada computadores de secretária e discos externos que guardem dados insubstituíveis.
- Mantenha equipamento sensível em protetores contra surtos de qualidade ou numa UPS para uso diário.
Um minuto para desligar e tirar da tomada pode evitar dias sem internet, sem televisão e uma despesa pesada de conserto.
Para muitas pessoas, a forma mais fácil de gerir isto é centralizar as ligações: colocar a TV, consolas e boxes numa única régua com interruptor visível e garantir que os conectores de antena ou cabo ficam acessíveis o suficiente para serem desligados rapidamente.
Porque os danos de tempestade vão importar mais na próxima década
As casas continuam a encher-se de dispositivos ligados: colunas inteligentes, câmaras de segurança em rede, sticks de streaming, termóstatos conectados. Cada peça acrescenta pequenas placas e transformadores que não gostam de oscilações de tensão.
Dados climáticos para várias regiões, incluindo partes dos EUA e da Europa, apontam para estações quentes mais longas e tempestades intensas mais frequentes. Essa combinação aumenta o número de horas por ano em que surtos poderosos podem atingir as redes locais.
As apólices de seguro por vezes cobrem danos por raio, mas as participações frequentemente exigem provas, fotografias, relatórios e tempo. Mesmo quando a compensação chega, raramente cobre a perda de dados ou o incómodo de substituir equipamento com pouca antecedência.
Compreender como as tempestades viajam pelos cabos ajuda as famílias a fazer escolhas rápidas e claras. Desligar algumas fichas e cabos antes do pico da tempestade afeta o conforto por um curto momento, mas protege centenas ou milhares de euros em eletrónica de que muitas famílias agora dependem todos os dias.
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