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Este ano, esqueça o champanhe caro: descubra o cocktail festivo de que todos falam.

Pessoa a servir sangria em copo com frutas numa mesa decorada.

Os convidados esperam bolhas, brilho e algo um pouco inesperado nesta época.

A bebida que está a provocar uma discreta revolução não é champanhe.

Nas festas de fim de ano de 2024, os anfitriões estão, sem alarido, a pôr de lado a clássica garrafa de espumante em favor de uma poncheira de vermelho profundo feita para partilhar. Fica dramática na mesa, combina com comida mais rica e não exige o orçamento de um sommelier. É precisamente por isso que um ponche ao estilo sangria de arando está rapidamente a tornar-se o cocktail não oficial da época.

Porque é que o champanhe está a perder terreno nas festas

Durante anos, o champanhe simbolizou celebração: tirar a rolha, erguer a flûte, fingir que ninguém viu o preço. Mas os convidados mudaram - e as bebidas também. Hoje, quem recebe tem de gerir orçamentos, pessoas que não bebem, fãs de baixo teor alcoólico e quem quer algo especial sem ser rígido ou demasiado formal.

A bebida obrigatória desta época tem menos a ver com marcas de luxo e mais com taças generosas e coloridas de partilha, de que todos podem desfrutar.

As flûtes individuais de champanhe parecem bastante formais e um pouco repetitivas. Uma poncheira ao centro da mesa é mais descontraída e social. As pessoas juntam-se à volta, servem-se mutuamente, comentam as cores, tiram fotografias, comparam pequenas alterações à receita. A bebida passa a fazer parte da conversa, em vez de ser um pano de fundo silencioso.

A ascensão do ponche de sangria de arando

Entra em cena o ponche de sangria de arando: uma mistura entre a sangria clássica espanhola, o ponche britânico de Natal e sabores norte-americanos típicos da época. Mantém o espetáculo de uma bebida grande para partilhar, mas traz fruta vermelha ácida, especiarias festivas e a dose certa de efervescência.

Imagine uma cor rubi profunda, rodelas de laranja e maçã a flutuar, arandos frescos à superfície e uma leve gaseificação que mantém cada copo vivo.

Funciona tanto para jantares íntimos como para festas cheias. Dá para aumentar a quantidade em minutos, ir repondo ao longo da noite e ajustar ao menu. E, ao contrário do champanhe, não desaparece numa única ronda de brindes.

Ingredientes base para um ponche de impacto

O apelo deste ponche está na flexibilidade. Pode construí-lo com aquilo de que já gosta, em vez de andar à procura de uma marca específica. Eis uma base simples para começar:

  • Vinho: tinto, branco ou rosé, consoante o menu e o quão rico quer que seja o resultado.
  • Sumo de arando: para acidez, cor e um sabor imediatamente associado às festas.
  • Fruta fresca: laranjas, maçãs, arandos, talvez framboesas ou bagos de romã.
  • Licor: licor de laranja como Cointreau ou Grand Marnier, ou algo floral como licor de flor de sabugueiro.
  • Bolhas: água com gás, ginger ale, ou prosecco se ainda quiser alguma “espuma”.

Especiarias como paus de canela, anis-estrelado ou cravinho acrescentam uma nota subtil de inverno. O gelo mantém tudo mais leve e fresco, em vez de pesado e alcoólico.

Tinto, branco ou rosé: o que escolher?

Anfitriões experientes tendem a partir da comida e escolher depois a bebida. Uma regra prática ajuda quando está em frente à prateleira dos vinhos, ligeiramente em pânico e com um casaco demasiado quente para a loja:

Estilo de ponche Escolha de vinho Combina melhor com
Rico e reconfortante Tinto macio (merlot, garnacha, tempranillo) Peru assado, presunto, recheio, queijos fortes
Fresco e vibrante Branco seco (sauvignon blanc, verdejo) Mariscadas, queijo de cabra, canapés mais leves
Frutado e descontraído Rosé (não muito doce) Snacks de festa, charcutaria, buffet misto

Não precisa de garrafas caras. Um vinho intermédio, honesto e agradável de beber, funciona melhor do que um topo de gama que preferia servir sozinho.

Como montar o ponche como um profissional

Não precisa de um kit de bar para isto. Uma taça grande de vidro, um jarro ou até uma panela bem limpa servem perfeitamente. O verdadeiro truque está no timing e na forma como as camadas de sabor se juntam.

Prepare a base com antecedência, deixe a fruta e as especiarias a “casar” no frigorífico e só adicione as bolhas mesmo no último minuto.

Método passo a passo

  • Numa taça grande ou jarro, junte o vinho e o sumo de arando.
  • Adicione rodelas de laranja e maçã, mais uma boa mão-cheia de arandos.
  • Misture um pouco de licor. Comece com pouco; cada pessoa pode sempre acrescentar mais ao seu copo.
  • Junte paus de canela ou anis-estrelado se quiser um perfil mais especiado.
  • Leve ao frio pelo menos duas horas, idealmente durante a noite, para os sabores da fruta se espalharem pela bebida.
  • Mesmo antes de servir, complete com água com gás, ginger ale ou prosecco e bastante gelo.

Assim evita ficar preso à cozinha quando preferia estar na conversa. Põe a taça na mesa, deixa uma concha por perto e a bebida “faz-se” sozinha.

Versões sem álcool e com baixo teor alcoólico que os convidados apreciam

Uma razão para este ponche ter pegado tão depressa é a facilidade com que se adapta a diferentes hábitos. Uma garrafa de champanhe não ajuda o amigo que está a tomar antibióticos, o condutor designado ou o primo que simplesmente não lhe apetece beber álcool este ano.

Taça cheia, sem álcool

Para uma versão grande sem álcool, pode substituir totalmente o vinho:

  • Use uma mistura de sumo de arando e sumo de maçã turvo como base.
  • Junte rodelas de citrinos, arandos e bagos de romã para dar textura.
  • Termine com água com gás, prosecco sem álcool ou ginger beer.

Mantém o dramatismo visual e o sabor festivo - sem as conversas sobre a ressaca no dia a seguir ao Natal.

Baixo teor alcoólico para noites longas

Para uma opção mais leve, reduza o vinho com partes iguais de água com gás ou uma limonada seca, com pouco açúcar. Mantenha o licor em quantidade modesta. Assim, os convidados conseguem beber um ou dois copos ao longo da noite sem ficarem “derrubados” antes da sobremesa.

Porque é que as redes sociais adoram este ponche

A mudança de garrafas de prestígio para bebidas partilhadas e chamativas encaixa na perfeição na forma como as pessoas usam Instagram e TikTok. Um rótulo dourado de champanhe é bonito, mas uma poncheira cor de carmim com fruta a flutuar e arandos “gelados” chama a câmara mais depressa.

Os anfitriões querem algo que fotografe como peça central, saiba bem e não destrua o orçamento da festa. Este ponche cumpre os três requisitos.

Vídeos curtos a mostrar as camadas de fruta, o último jato de bebida com gás e a nuvem de bolhas tendem a gerar bastante interação. Muitos anfitriões já fazem toda a decoração da mesa à volta do ponche: guardanapos a combinar com os frutos vermelhos, velas a condizer com os citrinos e copos que casam com o tom do vinho.

Como personalizar para o seu grupo

O modelo base é simples, mas pequenos toques fazem a bebida parecer pessoal, em vez de genérica. Algumas ideias que ganharam força este ano:

  • Estilo nórdico: adicione um pouco de aquavit ou schnapps especiado; use mirtilos-vermelhos (lingonberries) se conseguir.
  • Toque tropical: junte um pouco de sumo de ananás ou manga e troque a canela por lima fresca.
  • Versão “lareira”: aqueça suavemente uma parte no fogão sem deixar ferver e sirva em copos resistentes ao calor para quem está no exterior com frio.

Também pode dividir a base em duas taças: uma com vinho e outra com sidra sem álcool. Mesma fruta, mesmo aspeto, mesma decoração. Os convidados circulam naturalmente para o lado que lhes convém.

Dicas práticas: segurança, conservação e serviço

Este tipo de bebida parece inocente, o que pode ser um pequeno risco. A fruta absorve álcool e as pessoas muitas vezes subestimam quanto beberam quando os copos são mais informais.

  • Identifique claramente as taças com álcool e sem álcool.
  • Use copos mais pequenos; quem quiser pode sempre repetir.
  • Disponibilize muita água e alguns snacks não doces para equilibrar o açúcar.

As sobras aguentam surpreendentemente bem. Retire o gelo, remova as rodelas de citrinos já cansadas e guarde o líquido no frigorífico. No dia seguinte, complete com bebida com gás fresca e um pouco de fruta nova, e tem uma opção fácil para quem aparecer entre o Natal e o Ano Novo.

Para quem gosta de perceber o que está a servir, este ponche também é uma boa lição de equilíbrio de sabores. Dá para sentir como a acidez do arando corta a gordura das carnes assadas, como um toque de amargor da casca de laranja impede a bebida de ficar enjoativa, e como a diluição do gelo, na verdade, abre os aromas. Depois de perceber o padrão, pode improvisar futuros lotes sem receita, ajustando doçura, intensidade e efervescência a cada encontro.

Quem já está a pensar na Passagem de Ano vê as vantagens. Em vez da corrida frenética, no fim da contagem decrescente, para encher flûtes meio vazias, uma taça pronta de ponche de sangria de arando permite-lhe focar-se no momento - não na garrafa. E essa mudança, mais do que a troca do champanhe, indica para onde a cultura de bebidas festivas poderá estar a caminhar a seguir.

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