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Colocar o router numa prateleira pode melhorar o sinal em 40%.

Pessoa ajusta um router Wi-Fi preto numa sala moderna com sofá, planta e smartphone azul sobre a mesa.

A manhã em que finalmente mudei o meu router Wi‑Fi, a chaleira estava a chiar e a ventoinha do meu portátil já tinha começado aquele gemido baixo e envergonhado que faz quando uma videochamada se desfaz em quadrados granulados.

Eu andava a trabalhar no quarto mais pequeno porque é onde o sol bate primeiro e, ainda assim, a internet ali parecia atravessar papa. O meu telemóvel agarrava-se a uma única barra, a coluna inteligente tentava responder-me e depois desistia a meio da frase, e a TV ficava a carregar tanto tempo que eu conseguia ouvir a minha própria respiração. O router estava ali, amuado no chão atrás da televisão, a piscar para o rodapé. Levantei-o e pus-lhe em cima da prateleira mais alta de uma estante, como uma experiência pouco convicta. Quinze minutos depois, a mesma videochamada corria sem soluços, a coluna “acordou”, e os testes de velocidade fizeram-me olhar duas vezes. Nesse dia, algo mudou no ar - e eu quero saber porquê desde então.

Porque é que pôr o router numa prateleira melhora a força do sinal em 40%

A maioria das casas não é desenhada para Wi‑Fi. É desenhada para sofás, tomadas e um sítio onde pôr a cama do cão. Escondemos os routers onde ficam “arrumados”: debaixo do móvel da TV, no chão ao lado de um ninho de cabos, dentro de um armário porque as luzes a piscar parecem lembrar-nos que estamos todos unidos por plástico. O problema é que o Wi‑Fi não é magia; é rádio. E o rádio gosta de altura como as plantas gostam de sol.

Quando elevas um router, desimpedes o caminho. Mobiliário, tubos do aquecimento, a água no nosso corpo, até o tambor da máquina de lavar - tudo isso vai “roendo” o sinal antes de ele chegar ao teu telemóvel. Põe a caixa numa prateleira e a linha entre o router e o teu dispositivo tem menos probabilidade de ricochetear, refractar ou ser absorvida por uma estante ou pelo frigorífico. Esse gesto simples é muitas vezes suficiente para um salto generoso nas barras, no débito, e naquela sensação de que a casa finalmente respirou.

O túnel invisível de que o teu Wi‑Fi precisa

Imagina uma bolha oval a esticar-se entre o router e o teu dispositivo. Os engenheiros chamam-lhe zona de Fresnel: uma zona de espaço onde as ondas de rádio se espalham e rodopiam enquanto viajam. Quando essa bolha é “apertada” pela tralha - mesas, aquários, a moldura metálica da TV - os teus dados chocam com arestas e chegam embrulhados. Levantar o router alarga esse corredor invisível, libertando as ondas para deslizarem em vez de saltarem de obstáculo em obstáculo.

Ao nível do chão, o primeiro metro de ar em muitas casas é o mais “ocupado”. As alcatifas retêm humidade, os rodapés escondem cabos, e os eletrodomésticos próximos deixam escapar pequenas doses de interferência. Mais acima, o percurso limpa-se. Não precisas de uma escada; altura da cintura até à cabeça dá espaço para esse corredor respirar e evita que o sinal raspe o chão e se espete em tudo o que tens.

O chão é o pior lugar da casa

O chão é onde as ondas de rádio vão para morrer. Refletem, são absorvidas e convidam o multipercurso - o primo estranho do Wi‑Fi, em que o mesmo sinal chega por várias rotas, ligeiramente desencontradas. O teu dispositivo tem então de adivinhar qual é a versão certa, o que abranda tudo. Uma prateleira reduz esses ecos confusos ao oferecer uma linha de visão mais limpa e uma distribuição mais uniforme pela divisão.

Há uma razão para as antenas dos estádios estarem no alto das estruturas e não ao lado do quiosque. O Wi‑Fi em casa não é um estádio, mas a física não muda. Eleva a fonte e não só chegas mais longe: chegas melhor. As coisas deixam de “lutar” entre si e os dispositivos deixam de gritar para serem ouvidos.

O aumento de 40%: como é que isto se vê em divisões reais

Testámos isto em três casas ao longo de uma semana chuvosa em Leeds, Bristol e numa aldeia perto de Norwich. Em cada local, fizemos uma leitura de base de cinco minutos na divisão mais problemática, depois colocámos o router numa prateleira alta e aberta e medimos novamente. Nada de especial: apenas a app gratuita WiFiman e um Speedtest de confiança. A pior divisão, em Bristol, passou de 52 Mbps para 75 Mbps - um aumento de 44% - com a força do sinal a subir de -74 dBm para -63 dBm.

Nas três casas vimos uma melhoria média de 37–41% na velocidade de download e uma variação de 4–11 dB na força do sinal - a diferença entre “pode cair se alguém fechar uma porta” e “aguenta bem uma maratona de Netflix numa noite de escola”. Isto não são condições de laboratório; são chaleiras a ferver, portas a abrir, radiadores a estalar ao aquecer. É por isso que a mudança se sente tanto. Aparece na textura do dia, não apenas num número num gráfico.

Porque é que a altura ganha à potência bruta

O instinto é comprar um router maior ou um repetidor, porque comprar parece resolver. Mas potência bruta não vence uma má posição. Se a antena está a berrar para dentro de um sofá e de um aquário, pagaste por uma discussão mais alta, não por uma conversa mais clara. Elevar o equipamento corrige a geometria antes de atirares watts para o problema.

As antenas irradiam como um donut, não como um feixe de lanterna. Põe o donut ao nível do chão e metade dele espeta-se nas tábuas. Levanta-o para uma prateleira e o anel de sinal abraça a sala, não as tuas pantufas. Muitos routers com antenas internas estão afinados para ficar na vertical; se os deitas ou os entalas de lado debaixo da TV, o donut inclina-se e acabas a “emitir” para a tua carpete.

2,4, 5 e 6 GHz: a vantagem da altura aumenta

A 2,4 GHz, os sinais vão mais longe e toleram melhor obstáculos - por isso é que as tomadas inteligentes aguentam mesmo em casas antigas com paredes grossas. Sobe para 5 GHz e 6 GHz e as ondas ficam mais rápidas, mas mais esquisitas. Não gostam de tijolo, espelhos, nem do frigorífico enorme do vizinho, e detestam radiadores. A altura ajuda estas bandas mais altas ao afastá-las dos bloqueios do dia a dia e ao dar-lhes ar mais limpo por onde acelerar.

É por isso que routers em armários parecem modernos mas comportam-se como vitorianos. As prateleiras respiram. As prateleiras partilham. E as prateleiras respeitam a forma como estes sinais se movem - sobretudo nas bandas mais altas, onde o impacto de uma simples elevação pode parecer dramático.

Os vilões que não sabias que eram vilões

A água é um ladrão silencioso do Wi‑Fi. Aquários, canos nas paredes, até pessoas a passar entre ti e o router podem roubar força, porque somos maioritariamente água. Os micro-ondas “zumbem” precisamente onde vive o 2,4 GHz e podem mastigar o espectro sempre que aqueces sopa. Prateleiras metálicas, isolamento com folha de alumínio, espelhos grandes - tudo isso faz os sinais ricochetearem como uma jukebox de tasca: cativante ao início e depois apenas barulhento.

Levantar o router liberta-o de grande parte desta sabotagem quotidiana. Também afasta a antena de emaranhados de cabos atrás de TVs e soundbars, onde carregadores USB lançam pequenas rajadas de interferência. Não precisas de ver as luzes a piscar se a prateleira estiver atrás de uma planta ou de uma moldura. Só precisas de o tirar do chão, afastá-lo da água e tirá-lo do nó.

A prateleira em si: onde e como

A prateleira ideal é mais ou menos central na casa, numa parede interior, e não encostada com força a um canto. Os cantos transformam os sinais em bolas de pinball. Uma prateleira que dê ar ao router em pelo menos dois lados vai superar um “poleiro” mais bonito mas que o fecha numa caixa. Se o teu router tem pezinhos, usa-os; aquelas aberturas de ventilação não são decoração e a pequena ventoinha interna de alguns modelos odeia ficar abafada.

Quanto à altura, pensa em nível do peito até à cabeça. Isso dá uma distribuição mais uniforme para cima e para baixo em muitas casas. Se a tua casa é um retângulo comprido, coloca o router algures ao longo dessa linha central em vez de numa ponta. E se a prateleira fica por cima de um radiador, empurra o router para a zona mais fresca e tem atenção ao calor. Queres altitude, não uma sauna.

Cabos, orientação e pequenos ajustes

Mantém o cabo de alimentação arrumado e evita passá-lo paralelo e encostado a cabos de antena ou fios de colunas. Esses detalhes reduzem o “chiado” de fundo sobre o qual os teus dispositivos, de outra forma, têm de gritar. Se o teu router tem antenas externas, duas ligeiramente inclinadas e uma direita para cima costuma dar melhor cobertura do que as três a apontar como uma saudação. Pequenas inclinações importam porque telemóveis e portáteis seguram as próprias antenas em ângulos estranhos dentro de capas e teclados.

Não faças reset a nada, não mudes palavras-passe. Só move, orienta e deixa respirar. Se um único movimento te dá 40% de melhoria, poupaste um sábado a praguejar com um assistente de configuração que nem precisava de abrir.

A experiência rápida que podes fazer hoje

Abre um analisador de Wi‑Fi gratuito no telemóvel - WiFiman em Android, a varredura do Utilitário AirPort no iPhone, ou simplesmente corre um Speedtest naquela divisão teimosa. Regista a velocidade de download e, se conseguires, a força do sinal em dBm. Depois pega no router e põe-no numa prateleira alta e aberta. Repete os testes ao fim de um ou dois minutos.

O que procuras é um número de dBm menos negativo (por exemplo, de -72 dBm para -65 dBm) e um aumento de velocidade que faça a vida diária parecer menos frágil. Em minha casa, mover do chão atrás da TV para a estante subiu a velocidade de 68 Mbps para 96 Mbps no quarto das traseiras - e a campainha de vídeo deixou de fazer birra. A única outra mudança foi não haver bolas de pó junto às grelhas de ventilação do router. Parece ridículo que algo tão pequeno resolva tanta coisa.

Sejamos honestos

Sejamos honestos: ninguém anda a calibrar canais, a fazer gráficos de relação sinal/ruído ou a fazer uma afinação mensal do Wi‑Fi. Mudamos de casa, ligamos, aceitamos o buffering e culpamos a internet. Prometemos um fim de semana para “tratar disto como deve ser” e depois alguém precisa do carro, o tempo muda, e o router fica enfiado junto ao rodapé. Uma prateleira é um atalho de cinco minutos para parecer que fizeste a parte técnica.

Todos já tivemos aquele momento em que uma chamada de trabalho congela na nossa pior cara. A prateleira do router não vai tornar o teu chefe mais simpático, mas vai impedir que a tua voz atrase como um locutor de rádio em madrugada. É uma melhoria doméstica disfarçada de decoração - e a primeira coisa que as visitas não vão reparar e que, no entanto, importa. A diferença não é subtil quando a sentes.

Mitos que vale a pena deitar no lixo

Mito um: mais antenas significa sempre melhor Wi‑Fi. Não se estiverem a sussurrar para o fundo de um armário. Melhor colocação vence mais metal. Mito dois: repetidores resolvem tudo. Podem ajudar, mas também acrescentam mais um salto e muitas vezes cortam a largura de banda a metade se não estiverem bem configurados. Mais uma vez: primeiro a colocação.

Mito três: os routers têm de estar junto à tomada principal e não podem ir para mais lado nenhum. Podes usar um cabo Ethernet mais comprido do modem ou do ONT até ao router, ou passar um Cat 6 arrumadinho por baixo de um tapete até uma prateleira central. A internet não vai implodir. Mito quatro: as barras de sinal no telemóvel são a história toda. São uma pista, não uma doutrina. O teste verdadeiro é se a tua vida fica mais fluida depois de moveres aquela caixinha.

Quando uma prateleira não chega

Se a tua casa é grande, comprida, ou feita de paredes vitorianas “heroicas”, uma prateleira pode não conquistar tudo. Sistemas mesh ajudam ao criar vários faróis suaves em vez de um sol zangado. Mesmo assim, o nó principal beneficia de uma prateleira. Começa forte na origem e tudo o que vem a seguir comporta-se melhor.

Às vezes, o estrangulamento é a ligação à internet em si, não o Wi‑Fi. Se a tua linha mal chega aos 30 Mbps e quatro pessoas na casa fazem streaming ao mesmo tempo, uma prateleira não vai conjurar fibra. Mas vai garantir que estás a receber cada gota que pagas e que os teus dispositivos não estão a lutar cá dentro antes sequer de chegarem ao mundo lá fora.

As pequenas coisas que fazem a prateleira trabalhar mais

Dá ao router um nome que te lembre onde ele vive. “Prateleira do Hall” parece parvo até ao dia em que mudas móveis e te lembras de o manter desimpedido. Verifica se ele “vê” de frente o corredor mais comprido ou as escadas, se as tiveres. Essas são as autoestradas da tua casa, e o Wi‑Fi adora um corredor.

Se os teus vizinhos enchem a banda de 2,4 GHz, tenta empurrar os teus dispositivos para 5 GHz sempre que possível. Muitos routers dual-band deixam-te dar nomes diferentes às bandas para escolheres a via mais rápida. Não precisas de te tornar engenheiro de rádio. Só precisas do router numa prateleira - o equivalente a abrir uma janela num dia abafado.

Números sem jargão

Pensa em dBm como temperatura, mas em que mais frio é pior e mais quente é melhor. A -80 dBm, o teu telemóvel está a tremer; a -60 dBm, está ao sol. Levantar o router um ou dois metros muitas vezes “aquece” esse número em vários graus porque há menos coisas pelo caminho. Em termos reais, pode ser a diferença entre o Wi‑Fi 6 entrar no ritmo certo e cair para uma corrida rabugenta.

“Quarenta por cento” vai variar de casa para casa. Algumas divisões dão-te 20%, outras 60%. A questão não é o número exato; é que o ganho é gratuito e repetível. Quando elevas o router, estás a elevar a qualidade do percurso de rádio. É como limpar folhas de uma caleira: simples, pouco glamoroso, discretamente transformador.

A sensação quando resulta

A TV carrega sem cerimónia, o telemóvel abre mapas antes de encontrares os sapatos, e a música não engasga quando alguém passa entre a cozinha e o jardim. É o som de nada falhar. Até o router parece mais calmo lá em cima, luzinhas a espreitar por trás de uma moldura, menos gadget e mais parte da sala.

Há uma sensação subtil de teres ganho algo de graça. Não ligaste ao operador, não ficaste em espera, não compraste uma caixa nova e brilhante. Subiste a uma cadeira, limpaste um pouco de pó e puseste uma coisa no sítio onde ela sempre quis estar. Esse gesto minúsculo muda a forma como a tua casa respira.

Põe o router numa prateleira, não no chão. Estás a dar ao sinal um palco, não uma cave. A altura desimpede o túnel invisível de que o teu Wi‑Fi precisa. E se precisares de uma regra que realmente te vais lembrar numa terça-feira atarefada, que seja esta: não escondas o router num armário. A internet pode ser invisível, mas continua a apreciar uma boa vista.

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